sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Processo Histórico de Criação do Rito Brasileiro

            O processo de criação do Rito Brasileiro teve sua origem no processo nacionalista, do qual a Maçonaria brasileira não ficou a margem.
Em 1864 Miguel Antônio Dias, Maçom Português, solicitava aos Orientes Lusitano e Brasileiro a criação de um Rito Novo e Independente  com seus altos Graus misteriosos diferentes e nacionais. Essa  nacionalização vem justificada com a impossibilidade de se manter um Rito Universal e a preocupação de manter a Universalidade da Maçonaria.
Em 1875 em Porto Alegre é fundada a Loja Zur Eintracht do Rito Alemão.
O comerciante Ir.: José Firmo Xavier, em Pernambuco, funda a Maçonaria Especial do Rito Brasileiro em 1878. com características particulares que o diferenciava dos outros , sem ser uma “novidade”, pois já havia outros Ritos nacionalistas.
Como em toda mudança ocorreram divergências ocasionando rupturas, talvez pela forma ou até mesmo ideais preconizados pelo Ir.: José Firmo Xavier, cujo ideal era abolir a escravidão e tinha a intenção de aparar as arestas havidas com a questão religiosa.
Em 1880 já era forte o movimento anticlerical que possivelmente influenciaria a atitude de D. Pedro II e a oposição ao Rito Brasileiro. em razão da questão religiosa.
Em 1882 após uma carta vinda de Portugal José Firmo Xavier, sob os auspícios  de Sua majestade o Imperador D. Pedro II proclamava a Constituição da Maçonaria Especial do Rito Brasileiro, documento este que se encontra na Biblioteca Nacional, na cidade do Rio de Janeiro.
O Rito Brasileiro procurou vivenciar o momento histórico que se vivia na época para criação de uma identidade nacional e nas grandes transformações políticas e sociais que ocorreriam 10 anos depois, com a libertação da escravatura e a Proclamação da República. Foi criada, no nascido Rito, uma caixa denominada  “Cofre de Emancipação” com a finalidade de libertar os escravos. “A escravidão, essa mancha ignominiosa da História do Brasil, sensibilizou sobremodo o Ir Firmo Xavier. Seu interesse no sentido de libertar quantos escravos fosse possível, foi gesto positivo e sobretudo humano. Só isto bastava para o engrandecimento da Maçonaria do Rito Brasileiro. (Ir Hércules G Pinto)
O Rito não prosperou, pois o seu nacionalismo só permitia a admissão de brasileiros natos, alem da doutrina religiosa o que lhe dava um caráter de irregular, alem das conturbações ocorridas em 1891 com a primeira grande crise da República .
O Grande Oriente reconhecia em sua Constituição de 1914, 05 (cinco) Ritos: o Adhoniramita, o Francês ou Moderno, o REAA, o de York e o Alemão ou de Schröeder.
Em 1914 aflorava o sentimento cívico e patriótico, tomava corpo as Campanhas Cívicas, o serviço militar obrigatório (Lei de 1907), início da 1ª Guerra mundial, nesse clima o Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil Lauro Sodré, baixa Decreto de n° 500 de 23 de dezembro de 1914, fundando o Rito Brasileiro como Potência Regular Legal e Legítima, com a seguinte redação:
Lauro Sodré, Grão-Mestre da Ordem Maçônica no Brasil;
Faz saber a todos os maçons e oficinas da Federação, para que cumpram e façam cumprir, que em sessão efetuada no dia 21 de dezembro deste ano, o Il\ Cons\ Ger\ da Ord\ aprovou o reconhecimento e incorporação do Rito Brasileiro entre os que compõem o Gr\ Or\ do Brasil, com os mesmos ônus e direitos, regidos liturgicamente pela sua Constituição particular, respeitando o dispositivo do art. 34 do Reg\ Ger\, ficando autorizada a funcionar a sua Gr\ Loj\, intermediária da relação entre os IIr\ do Rito e entre estes e os Poderes Maçônicos de que trata o art. 4º do Reg\ Ger\, o que é promulgado pelo presente Decreto.
O Po\ Ir\ Gr\ Secr\ Ger\ da Ord\ é encarregado de fazer a publicação deste Decreto.
Dado e traçado na Gr\ Secr\ Ger\ da Ord\, na cidade do Rio de Janeiro, aos 23 dias do 10º mês do ano de 5.914 da V\ L\ - 23 de dezembro de 1914, E\ V\

Lauro Sodré, 33\

Gr\ M\ da Ord\
Ticiano Corregio Daemon, 33\
Gr\ Secr\ Ger\ da Ord\
A. 0. de Lima Rodrigues, 33\
Gr\ Chanc\

A tentativa de consolidação do Rito veio com dois outros decretos, baixados pelo Contra Almirante Veríssimo José da Costa, do Grão Mestre em Exercício, substituindo Lauro Sodré, Decreto n° 536, com o aval da Soberana Assembléia em 17 de outubro de 1916 e Decreto n° 554 de 13 de junho de 1917, reconhecendo e consagrando o Rito Brasileiro, sendo Grão Mestre o Ir\Nilo Peçanha.
Lauro Sodré e Silva foi militar, político e líder republicano, Veríssimo José da Costa Contra -Almirante o que explica suas atuações na retomada do.Rito Brasileiro.
O Rito era visto com desconfiança pois o julgavam nacionalista, o que seria um absurdo maçônico, mesmo com o reconhecimento do G.:O.:B.: não prosperou. Lojas eram fundadas e depois abatiam colunas ou mudavam de Rito ocasionadas também pela falta de orientação litúrgica e de um corpo organizacional
A 1ª Guerra Mundial propiciou um crescimento das cidades, da classe operária e das camadas médias e com isso a pressão dos movimentos sociais exigindo mudanças no campo político, econômico e social.
Em 1921, no roldão das pressões sociais, que desembocariam na Revolução de 1930, houve uma tentativa em São Paulo, quando o Grande Oriente Estadual estava Independente, pelos Irmãos: José Adriano Marrey Júnior, Arthur Graça Martins, Victor Sacramento, Pedro Ernesto de Oliveira, e Antônio do Carmo Branco integrantes do Grão Mestrado Paulista, para implantação efetiva do Rito Brasileiro como um rito único, com a denominação de Maçonaria Azul que acabou não ocorrendo .
O Ato nº. 1.617, de 3 de agosto de 1940, nova tentativa para consolidação do Rito com a publicação da Constituição do Rito e em 1941 era instalado o Supremo Conclave do Rito Brasileiro, por inspiração do Ir.: Álvaro Palmeira, eleito Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil, em 1942.
A crise no G.:O.:B.: em 1944 com a Suspensão de diversos Membros, inclusive Palmeira, e culminou com a criação da Grande Loja do Brasil em 1945 e do Grande Oriente Unido em 1948 influenciou mais uma vez para o ostracismo do Rito Brasileiro.
Em 1967, uma crise interna no Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocês Antigo e Aceito teve como desdobramento à implantação definitiva do Rito Brasileiro em 1968.
Em 1968, a 19 de março, o Ir Álvaro Palmeira Grão Mestre do GOB pelo Decreto nº. 2.080, nomeava uma Comissão Especial de 15 Membros (Benjamin de Almeida Sodré, Erasmo Martins Pedro, Adhmar Flores, Alberto Alves Sarda, Álvaro de Melo Alves Filho, Ardvaldo Ramos, Cândido Ferreira de Almeida, Edgard Antunes de Alencar, Eugênio de Macedo Matoso, Humberto Chaves, Jorge de Bittencourt, Jurandyr de Castro Pires Ferreira, Norberto Santos, Oscar Argollo e Tito Áscoli de Oliva) com amplos poderes de revisão e reestruturação a fim de por o Rito “rigorosamente acorde às exigências maçônicas da Regularidade internacional”, conferindo-lhe “âmbito universal“, separando o Simbolismo dos Graus Filosóficos e constituindo-o em real veículo renovador da Ordem, conciliando a Tradição com a Evolução, ficando então como marco inicial do Rito Brasileiro.
Em 10 de junho de 1968 foi assinado um ¨Tratado de Amizade e Aliança Maçônica¨ entre o Grande Oriente do Brasil e o Supremo Conclave do Brasil do Rito Brasileiro, o qual foi ratificado pela Soberana Assembléia Federal Legislativa em 27 de julho seguinte.
Com o Excelso Conselho da Maçonaria Adhoniramita foi firmado o Tratado de Aliança, Mútuo Reconhecimento e Amizade em 21 de novembro de 1974.
Em 1974, é fundado em Cataguases - MG o Supremo Conclave Autônomo para o Rito Brasileiro. conhecido como Conclave dos Servidores da Ordem e da Pátria , para as Lojas Maçônicas do Rito Brasileiro dos Grandes Orientes Independentes Estaduais, jurisdicionadas à COMAB - Confederação Maçônica do Brasil, sendo seu órgão administrativo ou Alto Corpo Filosófico.
A fundação foi possível graças à amizade dos Irmãos Álvaro Palmeira e Lysis Brandão da Rocha divulgadores do Rito Brasileiro. http://www.geocities.com/Athens/Rhodes/1307/outros
O Alto Corpo Filosófico das Lojas Maçônicas jurisdicionadas ao Grande Oriente do Brasil, chama-se "Supremo Conclave do Rito Brasileiro". http://www.ritobrasileiro.hpg.ig.com.br/
Os primeiros rituais dos graus 1, 2 e 3, nasceram da adaptação dos Ritos de York e Francês.
Desde seu surgimento em 1878 o Rito Brasileiro sempre teve como finalidade a Prática do civismo, da moral ilibada, da cultura e auxílio social. Isso era afirmado em um impresso do Rito de 1940
"O Rito Brasileiro tem como finalidade estimular a cultura, o mérito maçônico e o Civismo,tomando sob sua proteção moral a criança,a mulher e a velhice." (Supremo Conclave Autônomo)
Desde a sua implantação, em 1968, o Rito se impôs à consciência maçônica brasileira e hoje há mais de uma centena de Lojas do Rito em vários Estados de norte a sul do País, fazendo com que seja, portanto, o segundo Rito Maçônico mais praticado no Brasil. O Rito Brasileiro adota a denominação de “Rito da Maçonaria Renovada” estando em franca expansão.
O Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos é profundamente filosófico enaltecendo o  mais puro sentimento Maçônico A FRATERNIDADE ENTRE OS HOMENS, pela leitura obrigatória do Salmo 133.
Um dos ideais do Rito Brasileiro é fazer com que os Maçons sirvam ativamente à humanidade, pela Pátria onde nasceram ou onde se acolhem, tornando-a feliz.
“O Rito Brasileiro pratica a Maçonaria Tradicional em seus Rituais e preconiza a Moral, a Cultura e o Civismo numa formação sistemática, para subir ao cimo do pensamento filosófico e social, estabelecendo o Humanismo Maçônico. É a plenitude humana, harmonicamente realizada.”

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